"Obrigado, Vishnu (deus hindu), por me apresentar a Cristo"
De bate-pronto, a primeira coisa a ser dita sobre As Aventuras de Pi é, certamente, a seguinte: O filme representa, de longe, uma das melhores utilizações da tecnologia 3D até aqui. Em 127 minutos de projeção, o chinês Ang Lee alia um incrível deleite visual à uma tocante história de vida, utilizando-se da mesma para discutir difíceis tópicos como crença, fé e religião.
A delicada relação entre pai e filho - tema recorrente de seus longas - é novamente abordada. Pi, garoto protagonista do longa, cresce em uma Índia que se desenvolve em meio a transformações sociais e transborda diferentes culturas. Diante das constantes mudanças, seu pai lhe impõe uma criação firme, mas valorosa. Mostra-se interessante notar, inclusive por meio dessa relação, como Lee nos proporciona um filme menos carregado, apesar de altamente significativo. Toda a densidade de obras como O Segredo de Brokeback Mountain e Hulk (2003) é suavizada para dar lugar à reflexões essencialmente filosóficas.




