Nesta sexta, estréia "Tron - O Legado" e portanto mostra-se interessante, pelo próprio título da obra, revisitar o clássico de 1982 que deu origem ao universo fantástico no qual se ambienta a história. Entende-se por Odisséia toda e qualquer jornada extraordinária que também seja repleta de surpresas ou até mesmo perigos.
Em 1968, Kubrick encantou o mundo com sua Odisséia no Espaço. Naqueles tempos, a corrida espacial impulsionada pela Guerra Fria fez com que o homem se questionasse a respeito do universo e de sua representação dentro do mesmo. Já na década de 80, o mundo vivenciava certo avanço tecnológico e o computador pessoal, como o conhecemos hoje, começava a ganhar forma. Nada mais natural, portanto, que Steven Lisberger nos entregar uma Odisséia Eletrônica. Tais exemplos apenas ratificam que o cinema é, inegavelmente, um reflexo de seu período histórico.

Na trama, Kevin Flynn é um programador de softwares da ENCOM que tem suas idéias roubadas por outro funcionário. O jovem, então, cria um programa chamado CLU para invadir o sistema da empresa e encontrar provas que lhe garantam a autoria dos novos projetos. Ele, entretanto, esbarra no Controle Mestre, programa que lhe impede de adquirir os dados e que atua, no mundo cibernético, como uma força suprema e autoritária.
Porém, a persistência de Flynn faz com que ele e mais dois amigos invadam a sede da empresa a procura das provas. Lá, o jovem acaba sendo digitalizado e transportado, por um laser, para o mundo virtual. Com a ajuda de Tron, programa criado por um de seus amigos, Flynn destrói o Controle Mestre, adquire as provas que precisava e restaura a paz no mundo cibernético.
Vale lembrar que "Tron: Uma Odisséia Eletrônica" foi um dos primeiros filmes a usar efeitos especiais gerados por computação gráfica; e tornou-se um clássico da ficção científica justamente por sua inovação tecnológica e não por sua história que, talvez, seja divertida apenas para fãs de computação ou tecnologia. Prova disso foram os péssimos resultados do longa à época: tanto de crítica, como de público.
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| Repare no abismo tecnológico que separa os dois filmes. Lembre-se que o primeiro, à época, foi uma tremenda revolução. |
Sendo assim "Tron - O Legado" terá que fazer muito mais do que apenas encantar o público visualmente. Isso comprova-se por diversas razões:
Como já dito anteriormente, no primeiro filme faltou uma história que abrangesse um maior público e o resultado não foi nada bom.
"Avatar" já é a grande revolução tecnológica do momento. Qualquer produção posterior que proponha tecnologia similar, incluindo Tron, é apenas consequência do filme de Cameron.
O mesmo "Avatar", apesar da estrondosa bilheteria, também provou que apenas tecnologia não basta e pecou justamente por apresentar uma história previsível.
Filme bom mesmo precisa funcionar até em preto e branco!
Portanto, espero que os realizadores de Tron estejam cientes das assertivas anteriores e que tenham a consciência de que para entrar para a história, assim como seu antecessor, o filme precisará de muito mais do que apenas efeitos tridimensionais. O resultado até agora parece promissor: O excelente Jeff Bridges retorna como Flynn e tanto os discos de batalha como as Lightcycles marcam presença na continuação. Vale avisar que o filme passou por refilmagens: as mentes da Pixar foram chamadas para "amplificar no filme as coisas pelas quais a Pixar é conhecida: personagens e emoção", segundo a EW. Por um lado é bom saber que Lasseter e sua panelinha estão envolvidos. Por outro, o termo refilmagem é sempre preocupante.
O resultado estréia hoje nos cinemas e, portanto, finalmente saberemos se "Tron - O Legado" está apto a se tornar a odisséia do novo milênio. Não uma odisséia eletrônica ou apenas tecnológica, mas, assim como a espacial de Kubrick, inesquecível.
Em breve, a crítica aqui no Dimensão Cinema: Fique de olho!
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| Compare esta foto com o pôster que abre o post. Homenagem? |
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